Período Pombalino

 

 
Na manhã de 1 de Novembro de 1755, Lisboa sofreu um forte abalo sísmico com uma intensidade posteriormente estimada num valor próximo do máximo das escalas hoje utilizadas. A Baixa de Lisboa, à data densamente habitada, esteve entre as zonas mais castigadas. Ao terramoto sucedeu o maremoto, que como é natural também atingiu especialmente a Baixa, penetrando fundo no vale da antiga ribeira. Finalmente, o incêndio que se prolongou por vários dias completou o ciclo extraordinariamente arrasador deste múltiplo sinistro.

Em 1755, Sebastião José de Carvalho e Melo era Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e, nessa condição, assumiu a reconstrução da cidade. A estrutura urbana organiza-se entre duas grandes praças públicas, o Rossio e a Praça do Comércio (antigo Terreiro do Paço). É de destacar o carácter inovador da reconstrução, nomeadamente, a uniformização arquitectónica, o recurso à pré-fabricação, a imposição da medida como elemento definidor do urbanismo, a utilização sistemática de fundações em estacaria de madeira, da estrutura “em gaiola” e de telhados com parede guarda-fogo, e a rede de esgotos e de recolha e condução de águas.

Elemento curioso do imaginário colectivo são as pequenas imagens cerâmicas de Santo António, comuns no registo arqueológico da cidade, decapitadas e espoliadas de Menino e escrituras, largadas nos poços, em respeito de uma tradição provavelmente inscrita na religiosidade popular lisboeta.